domingo, 26 de dezembro de 2010

Os maias

Acão principal e Acão secundária da obra “os Maias”
A Acão principal d' Os Maias, desenvolve-se segundo os moldes da tragédia clássica - peripécia, reconhecimento e catástrofe. A peripécia verificou-se com o encontro casual de Maria Eduarda com Guimarães; com as revelações casuais do Guimarães a Ega sobre a identidade de Maria Eduarda; e com as revelações a Carlos e Afonso da Maia também, sobre a identidade de Maria Eduarda. O reconhecimento, acarretado pelas revelações do Guimarães, torna a relação entre Carlos e Maria Eduarda uma relação incestuosa, provocando a catástrofe consumada pela morte do avô; a separação definitiva dos dois amantes; e as reflexões de Carlos e Ega



Acão Secundária
Pedro da Maia conhece Maria Monforte por quem se apaixona violentamente e com quem casa, contra a vontade do pai. De repente, a felicidade de Pedro acaba, quando Maria Monforte foge com Tancredo, um napolitano por quem se enamora, levando consigo a filha Maria Eduarda. Pedro, desesperado, dirige-se para o Ramalhete e, após contar tudo ao pai, suicida-se, deixando o seu filho Carlos a Afonso.

Espaço(físico, psicológico e social)

Espaço Físico
A maior parte da narrativa passasse em Portugal, mais concretamente em Lisboa e arredores.                                               
Em Santa Olávia passasse a infância de Carlos. É também para lá que este foge quando descobre a sua relação incestuosa com a irmã.                                                                                                                                                                            Em Coimbra passam-se os estudos de Carlos e as suas primeiras aventuras amorosas.                                                       
É em Lisboa que se dão os acontecimentos que levam Afonso da Maia ao exílio; é em Lisboa que sucedem os acontecimentos essenciais da vida de Pedro da Maia; e é também lá que decorre a vida de Carlos que justifica o romance - a sua relação incestuosa com a irmã.                                                                              
O estrangeiro surge-nos como um recurso para resolver problemas. Afonso exila-se em Inglaterra para fugir à intolerância Miguelista; Pedro e Maria vivem em Itália e em Paris devido à recusa deste casamento pelo pai de Pedro. Maria Eduarda segue para Paris quando descobre a sua relação incestuosa com Carlos. O próprio resolve a sua vida falhada com a fixação definitiva em Paris.                       
Deve referir-se como importante espaço exterior Sintra, palco de vários encontros, quer relativos à crónica de costumes, quer à relação amorosa dos protagonistas.
Espaço Social
O espaço social comporta os ambientes (jantares, chás, soirés, bailes, espectáculos), onde atuam as personagens que o narrador julgou melhor representarem a sociedade por ele criticada - as classes dirigentes, a alta aristocracia e a burguesia.
Destacamos o jantar do Hotel Central, os jantares em casa dos Gouvarinho, Santa Olávia, a Toca, as corridas do Hipódromo, as reuniões na redação d' A Tarde, o Sarau Literário no Teatro da Trindade - ambientes fechados de preferência, por razões de elitismo.           
O espaço social cumpre um papel puramente crítico.

Espaço Psicológico
O espaço psicológico é constituído pela consciência das personagens e manifesta-se em momentos de maior densidade dramática. É sobretudo Carlos, que desvenda os labirintos da sua consciência. Ocupando também Ega, um lugar de relevo. Destacamos, como espaço psicológico, o sonho de Carlos no qual evoca a figura de Maria Eduarda; nova evocação dela em Sintra; reflexões de Carlos sobre o parentesco que o liga a Maria Eduarda; visão do Ramalhete e do avô, após o incesto; contemplação de Afonso morto, no jardim.                                                                     
Quanto a Ega, reflexões e inquietações após a descoberta da identidade de Maria Eduarda.                                                          

Tempo (do discurso e da Historia)

Tempo do discurso
Na obra, o discurso inicia-se no Outono de 1875, data em que Carlos, concluída a sua viagem de um ano pela Europa, após a formatura, veio, com o avô, instalar-se definitivamente em Lisboa.

Tempo histórico
Do Outono de 1875 a Janeiro de 1877 - data em que Carlos abandona o Ramalhete - existe uma tentativa para que o tempo histórico (pouco mais de um ano da vida de Carlos) seja idêntico ao tempo do discurso - cerca de 600 páginas - para tal Eça serve-se muitas vezes da cena dialogada.

Narrador
O narrador é heterodiegético, ou seja, não é uma personagem histórica.
Assume geralmente uma atitude de observador

Elementos Simbólicos
O Ramalhete;
A Toca;
Santa Olávia simboliza a vida e a regeneração dos dois varões da família;
Sintra nela se representa a beleza paradisíaca
Lisboa nela esta simbolizada a decadência nacional, onde se destaca a estatua de camões

Coimbra é onde Carlos teve a sua formação académica


Caracterização das personagens da obra






sábado, 25 de dezembro de 2010

A Educação n' Os Maias

     Uma das temáticas centrais do romance de Eça é, inequivocamente, a educação.

     Este facto compreende-se porque a problemática, de acordo com a estética naturalista, é fundamental na caraterização das personagens e porque assume, nas obras do escritor, uma representatividade considerável.

A Educação portuguesa e a Educação inglesa


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Capitulo VI

Carlos visita Ega na sua nova casa, a Vila Balzac, no Largo da Graça, depois da Cruz dos 4 Caminhos. Saem. Encontram Craft. Combinam jantar no Hotel Central, em honra ao Cohen. Chegam os Castro Gomes para se hospedar (p.157). Alencar encontra Carlos da Maia, que tem agora 27 anos. Alencar é contra o Naturalismo e tudo o que lhe cheire a Realismo. Começam a discutir a decadência de Portugal, política e socialmente. Acabam bem o jantar. Ega e Alencar discutem. Reconciliam-se. Saem todos do Hotel Central. Alencar acompanha Carlos até casa. Analepse de uma conversa de Carlos e Ega em que este, bêbado, lhe revelara a verdadeira história da mãe de Carlos. Carlos adormece, pensando na misteriosa senhora do Hotel Central e no Alencar.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Corrida De cavalos

Resumo:
O capítulo X começa com o fim do encontro de Carlos com Gouvarinho e revela que Carlos já se sente farto desta: “E nessa tarde, como não havia ainda outro esconderijo, tinham abrigado os seus amores dentro daquela tipóia de praça. Mas Carlos vinha de lá enervado, amolecido, sentindo já na alma os primeiros bocejos da saciedade. Havia três semanas apenas que aqueles braços perfumados de verbena se tinham atirado ao seu pescoço – e agora, pelo passeio de S.Pedro de Alcântara, sob o ligeiros chuvisco que batia as folhagens da alameda, ele ia pensando como se poderia desembaraçar da sua tenacidade, do seu ardor, do seu peso…”.
Quando, depois, Carlos ia a descer a rua de S.Roque, encontrou o marquês. Durante a conversa, Carlos apercebeu-se que a corrida tinha sido antecipada para o próximo Domingo. Maia ficou contente pois daí a cinco dias iria, finalmente, conhecê-la.
Enquanto Carlos e o marquês vão falando das corridas, Maria Eduarda passa no seu coupé… “Carlos olhou, casualmente; e viu, debruçado à portinhola, um rosto de criança, de uma brancura adorável, sorrindo-lhe, com um belo sorriso que lhe punha duas covinhas na face. Reconheceu-a logo. Era Rosa, era Rosicler: e ela não se contentou em sorrir, com o seu doce olhar azul fugindo todo para ele – deitou a mãozinha de fora, atirou-lhe um grande adeus. No fundo do coupé, forrado de negro, destacava um perfil claro de estátua, um tom ondeado de cabelo loiro. Carlos tirou profundamente o chapéu, tão perturbado, que seus passos hesitaram. “Ela” abaixou a cabeça, de leve;”.
No fim de ver passar o coupé, Carlos e o marquês dirigem-se ao Ramalhete; Maia, pelo caminho, vai traçando um plano para se encontrar com Maria Eduarda. Chegando ao Ramalhete juntam-se todos.
Durante o jantar Carlos vai contar o seu plano para conhecer Castro Gomes a Dâmaso: este levá-los-ia até aos Olivais para lhe mostrar a colecção de Craft e em seguida jantariam no Ramalhete.
Depois do sarau no Ramalhete, chega o dia das corridas. Carlos vai ao hipódromo na esperança de ver Maria Eduarda, mas fica desiludido pois ela não aparece.
É Domingo, um dia quente com o céu azul, no Hipódromo Carlos fala com a sua velha amiga D.Maria da Cunha e conhece Clifford, que era o dono do cavalo que tinha mais expectativas de ganhar e foi por causa dele que as corridas foram antecipadas.
Entretanto, a Gouvarinho diz a Carlos que seu pai faz anos e ela tem de ir ao Norte. Combina então com ele para se encontrarem na estação e seguirem juntos no comboio ate Santarém onde passariam a noite juntos; depois, ela seguiria até ao Porto e ele regressava a Lisboa. Carlos hesita.
Houve algumas complicações durante a prova que causaram a desordem – página 329/330.
Carlos, para animar as corridas, decide apostar e, surpreendentemente, acaba por ganhar muito dinheiro.
Aqui podemos aplicar o provérbio “Sorte no jogo, azar no amor”… Este é o primeiro presságio do capítulo: “- Ah, monsieur – exclamou a vasta ministra da Baviera, furiosa – mefiez-vous… Vous connaissez le proverbe: heureux au jeu…”
Entretanto, Carlos vai falar com Dâmaso. Este conta-lhe que Castro Gomes partiu para o Brasil e que Maria Eduarda está num apartamento no prédio do Cruges.
Em seguida, Carlos arranja a desculpa de querer falar com Cruges para ver Maria Eduarda. Mas, quando chega, ao prédio, felizmente, a criada diz que Cruges não está; Carlos acaba também por não ver Maria Eduarda.
Carlos regressou ao Ramalhete, conversando com Craft dá-se o segundo pressagio…
“- A gente, Craft, nunca sabe se o que lhe sucede é, em definitivo, bom ou mau.
-Ordinariamente é mau.”

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Os Maias – Critica social

Lisboa é o espaço privilegiado do romance, onde decorre praticamente toda a vida de Carlos ao longo da ação. O caracter central de Lisboa deve-se ao facto de esta cidade concentrar, dirigir e simbolizar toda a  vida do país. Lisboa é mais do que um espaço físico, é um espaço social. É neste ambiente monótono, amolecido e de clima rico, que Eça vai fazer a crítica social, em que domina a ironia, corporizada em certos tipos sociais, representantes de ideias, mentalidades, costumes, politicas, conceções do mundo, etc. Vários são os episódios utilizados pelo autor para mostrar a vida da alta sociedade lisboeta. Destacam-se os mais importantes:
- O jantar do Hotel Central
- A Corrida de Cavalos
- O jantar dos Gouvarinhos
- A Imprensa
- A Sarau do Teatro da Trindade
- O Passeio de Carlos e João da Ega

- A Educação

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

OS MAIAS - O Sarau do Teatro da Trindade

  O Sarau destinava-se a ajudar as vítimas das cheias do Ribatejo.

  Revela-nos aspetos caricatos da sociedade lisboeta: o gosto pela verborreia oca; a total falta de sensibilidade estética para apreciar o talento; a lágrima fácil perante o exagero poético romântico; a superficialidade das conversas.

  O primeiro interveniente é Rufino, um orador tido como sublime; a sua retórica vazia, quase barroca, traduz a sensibilidade literária da época; a sua bajulação à família real evidencia a idolatria em relação a quem o pode promover.

  Cruges representa o raro talento verdadeiro, incompreendido e alvo de risos.

  O último interveniente é Alencar, após “um intervalo de dez minutos como no circo”. O poeta declamou “A Democracia”, aliando poesia e política, numa encenação exuberante e sentimentalista, ultrarromântica, que termina, entre fortes aplausos, com propostas sociais utópicas de uma República em que o milionário, sorrindo, abre os braços ao operário.


  É neste episódio, aparentemente desligado por completo da intriga principal, que Ega entra em contacto com o Sr. Guimarães, personagem que se revela fundamental para o final trágico da intriga.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010