sábado, 25 de setembro de 2010

Teatro épico (Bertolt Brecht)

O teatro épico é produto do forte desenvolvimento teatral na Rússia, após a Revolução Russa de 1917, e na Alemanha, durante o período da República de Weimar, tendo como seus principais iniciadores o diretor russo Meyerhold e o diretor teatral alemão Erwin Piscator. Nesse tempo, as cenas épicas alemãs recebiam o nome de cena Piscator, dado o extensivo uso de cartazes e projeções de filmes nas peças dirigidas por Piscator. No entanto, o grande propagandista do teatro épico foi Bertolt Brecht.

A catarse perde seu espaço na conceção teatral épica. Não cabe envolver o espectador em uma manta emocional de identidade com o personagem e fazê-lo sentir o drama como algo real, mas sim despertá-lo como um ser social. Segundo Brecht, a catarse torna o homem passivo em relação ao mundo e o ideal é transformá-lo em alguém capaz de enxergar que os valores que regem o mundo podem e devem ser modificados.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Conspiração de 1817

Esta conspiração está presente no livro “Felizmente há luar” de Luís Sttau Monteiro. A história deste livro divide-se em 2 tempos:
tempo de escrita
ano de 1961;
e tempo de história
séc.XIX (1817);
tempo em que se começa a notar a imposição do regime liberal, ou seja, defende a liberdade individual mediante o exemplo dos direitos e da lei. Vamos então concentrar-nos neste. A figura central desta conspiração foi o General Gomes Freire de Andrade que como diz o próprio livro: “que está sempre presente embora nunca apareça”. Gomes Freire era amado por uns e odiado por outros, é acusado de chefe da revolta, de estrangeirado.

General Gomes Freire era como a figura de referência para fortalecer o movimento. A Viscondessa de Juromenha tornou-se a principal figura no ajuste da conspiração, ao contrário do que os liberais pretendiam. Entretanto na tentativa de aliciarem gente, os conjurados (ou seja, conspiradores) aumentavam em muito a força do seu movimento, e o reduzido número de conjurados, a ligeireza com que muitos se conduziram e a sua pouca implantação fora do exército fizeram com que rapidamente se soubesse da conspiração.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A corte no Brasil

A Corte Portuguesa permaneceu no Brasil de 1808 a 1821. A entrada das tropas napoleónicas em Portugal, a 27 de novembro de 1807 levavam à saída do regente, D. João VI, sua mãe, a rainha D. Maria I, os seus familiares e cortesãos para o Brasil. Eram cerca de 15 000 pessoas as que se acomodaram em 34 embarcações de diversos calados e mais uma para os mantimentos. Com o apoio da esquadra inglesa, os navios com a Corte portuguesa chegaram à Baía a 7 de março de 1808.
Dois meses mais tarde, o governo instala-se na cidade do Rio de Janeiro, que no começo do século XIX tinha uma população de cerca de 60 000 habitantes, dos quais 40 000 eram negros. Segundo testemunhos da época, a cidade impressionava pela sua beleza natural mas a falta de infraestruturas urbanísticas básicas, como fossas sépticas, tornavam a vida no mínimo difícil.

 Estava aberto o caminho para a separação do Brasil de Portugal. Em janeiro de 1822, D. Pedro declara ficar no Brasil e não regressar a Portugal.

General Gomes Freire de Andrade

General português nascido em 1757, em Viena, e falecido em 1817. Seguiu a vida militar depois de ter vindo para Portugal aos 24 anos. Combateu em Argel (1784), na Rússia (1788), na Guerra do Rossilhão (1790), na Guerra das Laranjas (1801) e na Guerra Peninsular, só deixando a carreira das armas após a derrota de Napoleão em 1814. Ligado aos ideais progressistas e membro da Maçonaria, foi acusado de participar na conspiração de 1817, o que lhe valeu a prisão e a forca nesse mesmo ano. Surge como personagem na peça de Luís de Sttau Monteiro Felizmente há Luar  (1961).






terça-feira, 21 de setembro de 2010

William Carr Beresford

Foi comandante em chefe durante toda a Guerra Peninsular, de Março de 1809 à revolução liberal de 1820, gozando de poderes de governação dada a ausência da Corte portuguesa, refugiada no Brasil (1808-1821).
Filho ilegítimo do Marquês de Waterford . Serviu no Exército Britânico em Toulon (1793); foi tenente-coronel na Índia, coronel do 88º Regimento no Egipto (1801), brigadeiro no Cabo da Boa Esperança, e ocupou Buenos Aires (1806) onde foi aprisionado. Comandou a ocupação da Madeira em dezembro de 1807 e aí aprendeu português. Fez a expedição da Corunha em 1809 e regressou a Portugal.

Foi em Portugal Marquês de Campo Maior, título recebido por decreto de 17 de dezembro de 1812 de D. Maria I, e Conde de Trancoso, e Visconde de Beresford na Grã-Bretanha. Era de grande estatura e corpulento, sendo a presença realçada por um rosto muito irregular e de aparência algo sinistra, pois tinha o olho esquerdo vazado por um tiro, o que surpreendia os interlocutores. Nomeado Marechal do Exército em Março de 1809 pelo Conselho de Regência, Beresford aproveitou a reorganização das forças militares criada por D. Miguel Pereira Forjaz, para a adaptar ao serviço de campanha do exército britânico.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

D.MIGUEL PEREIRA Forjaz

Militar português, 9.º Conde da Feira, nascido a 1 de novembro de 1769 e falecido a 6 de novembro de 1827, entrou para o exército em 1785, como cadete no Regimento de Peniche. Promovido a alferes em 1787, a capitão em 1791 e a major em 1793, tornou-se ajudante de ordens do general Forbes, combatendo no Rossilhão e na Catalunha. Em 1800, foi nomeado governador e capitão-general do Pará, Brasil, (para onde não chegou a partir). Em 1808 foi promovido a marechal de campo e em 1812 a tenente general.
Apoiou Beresford na reorganização do exército português, embora assumindo posições cada vez mais críticas sobre a influência do general britânico.
Com a revolução de 1820, abandonou o seu lugar na Regência, mas recebeu o título de conde da Feira.

Assumiu como missão o combate por um modelo de sociedade à luz dos valores do patriotismo e da noção de Estado, assente nos pilares tradicionais da monarquia absolutista; da defesa de uma sociedade estratificada, com papéis sociais distintos; da recusa de uma sociedade regida por princípios como liberdade e igualdade; da conceção de um poder político autocrático.
Representou a Nobreza na Regência, assumiu o papel principal na acusação do General Gomes Freire pois receia que o prestígio, inteligência e capacidade deste lhe retirem a projeção a que está habituado e coloquem em causa o seu lugar na Regência.

domingo, 19 de setembro de 2010

D. Manuel Gonçalves cerejeira

Manuel Gonçalves Cerejeira (1888-1976), sacerdote e docente universitário, terminou formação académica em Coimbra em plena República (1916), da qual era adversário implacável dado o peso que nela tinham, a seu ver, a Maçonaria e o anticlericalismo. Enveredará, por esse motivo, pela ação política de contestação ao poder republicano, para o que reanima o Centro Académico de Democracia Cristã, onde encontra como colaborador Oliveira Salazar, ao mesmo tempo que, na imprensa católica, defende as suas opiniões antirrepublicanas. Parte da sua obra historiográfica é igualmente imbuída de um espírito de cruzada ideológica: contrariando teses positivistas e racionalistas caras aos republicanos, defende (entre outras) a tese de que a civilização ocidental tudo deve ao Cristianismo e procura dissociar a Inquisição da histórica decadência nacional. Instituído o Estado Novo sob a direção do seu amigo, colega e correligionário António de Oliveira Salazar, o sacerdote, que entretanto ascende a Cardeal Patriarca de Lisboa (1929) é um dos artífices da longa aproximação e colaboração entre a Igreja e o Estado, lutando para recuperar o espaço de manobra perdido pela instituição religiosa durante o período republicano e para inverter a tendência para a fuga de devoção criada pelo anticlericalismo militante republicano. Será também Cerejeira o interlocutor privilegiado entre o Governo de Portugal e a Santa Sé quando esta manifesta afastamento em relação a teses oficiais portuguesas em política colonial, particularmente quando o Papa recebe em audiência representantes de movimentos da guerrilha guineense, angolana e moçambicana.