domingo, 12 de dezembro de 2010

Modernismo

Modernismo na literatura em Portugal

Em Portugal o modernismo desenvolveu-se aproximadamente no início do século XX até ao final do Estado Novo, na década 1970.
Na literatura o modernismo foi praticado por duas gerações de intelectuais ligados a duas publicações literárias: um primeiro modernismo surgido em 1915, em torno da revista Orpheu; um segundo modernismo organizado em 1927, em torno da revista Presença.

Surgiram em Portugal revistas que propunham diferentes soluções estéticas e políticas para recuperar o atraso português a este nível, como a Nação Portuguesa, de feição conservadora, e a Seara Nova, de tendências mais progressistas e democráticas. Nesta revista colaboraram investigadores como o historiador Jaime Cortesão, António Sérgio e os escritores Aquilino Ribeiro e Raul Brandão.

Modernismo nas artes plásticas quadros de Amadeo de Souza


A sua obra é caracterizada por paisagens exóticas, com desenhos cubistas que transmitem: elegância, mistério, imaginação, emoção e simbolismo. Amadeo acumula elementos geométricos caligráficos, com linhas encurvadas coloridas que conduzem a uma Acão extremamente dinâmica.

 

Almada negreiros pinturas


retrato de Fernando Pessoa 


José Sobral de Almada Negreiros  (Trindade, S. Tomé, 7 de Abril de1893  Lisboa, 15 de Junho de 1970) foi um artista multidisciplinar, pintor, escritor, poeta, ensaísta, dramaturgo é romancista português ligado ao grupo modernista.
Também foi um dos principais colaboradores da Revista Orpheu


Quadro de Picasso


Algumas mãos são abençoadas e a prova disso vem em forma de quadros lindos, grandes obras de arte que ficam marcadas e atravessam gerações, dezenas, centenas e até milhares de anos se possível for. Um grande pintor que o mundo já conheceu tem seu nome consagrado no universo artístico, o conhecido Pablo Picasso. Muitas de suas obras jamais serão esquecidas e algumas delas se tornaram grandes fortunas, valendo muito dinheiro no mercado. A galeria de imagens a seguir revela algumas das mais conhecidas e belas pinturas de Pablo Picasso, confira:

Algumas mãos são abençoadas e a prova disso vem em forma de quadros , grandes obras de arte que ficam marcadas e atravessam gerações, dezenas, centenas e até milhares de anos se possível for. Um grande pintor que o mundo já conheceu tem seu nome consagrado no universo artístico, o conhecido Pablo Picasso.












sábado, 11 de dezembro de 2010

Alberto Caeiro

Alberto Caeiro apresenta-se como um simples “guardador de rebanhos”, que só se importa em ver de forma objetiva e natural a realidade, com a qual contacta a todo o momento. Daí o seu desejo de integração e de comunhão com a natureza.
Caeiro é o poeta da Natureza que está de acordo com ela e a vê na sua constante renovação. E porque só existe a realidade, o tempo é a ausência de tempo, sem passado, presente ou futuro, pois todos os instantes são a unidade do tempo.

Mestre de Pessoa e dos outros heterónimos, Caeiro dá especial importância ao ato de ver, mas é sobretudo inteligência que discorre sobre as sensações, num discurso em verso livre, em estilo coloquial e espontâneo. Passeando a observar o mundo, personifica o sonho da reconciliação com o universo, com a harmonia pagã e primitiva da Natureza.


Poema 

O que nós vemos das cousas são as cousas. 
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra? 
Por que é que ver e ouvir seriam iludirmo-nos 
Se ver e ouvir são ver e ouvir? 
O essencial é saber ver, 
Saber ver sem estar a pensar, 
Saber ver quando se vê, 
E nem pensar quando se vê 
Nem ver quando se pensa. 
Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!), 
Isso exige um estudo profundo, 
Uma aprendizagem de desaprender 
E uma sequestração na liberdade daquele convento 
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas 
E as flores as penitentes convictas de um só dia, 
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas 
Nem as flores senão flores, 
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores. 

Análise 

Este poema procura ensinar o leitor a “pensar em a pensar” o real.
Nos versos 5 e 6 “O essencial é saber ver, Saber ver sem estar a pensar”  , o poeta diz-nos que o essencial é ter consciência de sentir(saber) sem raciocinar(pensar).
No 10º verso o poeta anti-metafórico contempla-nos com a metáfora “…Alma vestida” em que o eu poético lamenta o peso dos nossos ensinamentos e convicções que, tal como uma roupa vestida, protegem a nossa alma e impossibilitam a visão das coisas tal como elas o são. Caeiro dá ênfase à naturalidade e espontaneidade excluindo o excesso de reflexão e pensamento. A roupa e  tudo o que nos cobre os olhos e os sentidos, são
imposições culturais, filosóficas e religiosas que nos impossibilitam de ver a realidade como ela é.

Não Tenho Pressa

Não tenho pressa. Pressa de quê? 
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos. 
Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas, 
Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra. 
Não; não sei ter pressa. 
Se estendo o braço, chego exatamente aonde o meu braço chega - 
Nem um centímetro mais longe. 
Toco só onde toco, não aonde penso. 
Só me posso sentar aonde estou. 
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras, 
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa, 
E vivemos vadios da nossa realidade. 
E estamos sempre fora dela porque estamos aqui. 

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Ricardo Reis

Prefiro rosas meu amor à pátria

Prefiro rosas, meu amor, à pátria, 
E antes magnólias amo 
Que a glória e a virtude

Logo que a vida me não canse, deixo 
Que a vida por mim passe 
Logo que eu fique o mesmo

Que importa àquele a quem já nada importa 
Que um perca e outro vença, 
Se a aurora raia sempre

Se cada ano com a primavera 
As folhas aparecem 
E com o Outono cessam

E o resto, as outras coisas que os humanos 
Acrescentam à vida, 
Que me aumentam na alma?

Nada, salvo o desejo de indiferença 
E a confiança mole 
Na hora fugitiva.

Analise

Neste poema podemos encontrar as linhas da filosofia de vida:
-A recusa do esforço(da pratica, /da gloria e da/ virtude)
-A demissão da vida e ataraxia/(Procura de felicidade com tranquilidade)
-A indiferença
-A aceitação de precariedade da vida.
O próprio ritmo da natureza “ensina” o sujeito a “olhar” a vida como simples / espectador.

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio*,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.


Analise

Pode-se perceber que na 1ª e 2ª estrofes, há um desejo epicurista de fruir o momento presente. Nota-se, também, a aceitação das leis do destino.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Álvaro de Campos

Óde Triunfal


À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica 
Tenho febre e escrevo. 
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto, 
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos. 

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno! 
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria! 
Em fúria fora e dentro de mim, 
Por todos os meus nervos dissecados fora, 
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto! 
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos, 
De vos ouvir demasiadamente de perto, 
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso 
De expressão de todas as minhas sensações, 
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas! 

Análise
O título é bastante sugestivo do conteúdo e significado da ode. Assim, o nome/substantivo «ode», de origem grega, remete para o cântico laudatório de uma pessoa, instituição, ou acontecimento. No caso deste poema, significará um canto de exaltação da civilização moderna industrial. Por sua vez, o adjetivo «triunfal» vem hiperbolizar o significado do nome («ode»), conferindo ao texto uma sugestão de força e exagero. No conjunto, o título traduz uma sensação de triunfo e de monumentalidade, visto que sugere algo de grandioso, quer a nível do conteúdo, quer da forma, o que está em conformidade com o tema da composição poética: o canto de exaltação da modernidade, do progresso, da técnica e dos seus excessos.
Opiário

É antes do ópio que a minha alma é doente.
Sentir a vida convalesce e estiola
E eu vou buscar ao ópio que consola
Um Oriente ao oriente do Oriente.

Esta vida de bordo há-de matar-me.
São dias só de febre na cabeça
E, por mais que procure até que adoeça,
Já não encontro a mola pra adaptar-me.

Em paradoxo e incompetência astral
Eu vivo a vincos de ouro a minha vida,
Onda onde o pundonor é uma descida
E os próprios gozos gânglios do meu mal.

É por um mecanismo de desastres,
Uma engrenagem com volantes falsos,
Que passo entre visões de cadafalsos
Num jardim onde há flores no ar, sem hastes.

Analise
A nostalgia do além, sugerida pelas referências ao Oriente, traduzem a saturação ou a incapacidade de integração na civilização ocidental e remetem o sujeito poético para um estado de divagação alienante e um pessimismo desistente.
A evasão através do sonho, da evocação de espaços irreais ou inexistentes, é alternada pela procura de sensações novas e extremas que só a embriaguez do ópio pode proporcionar. No entanto, a falta de vontade e de energia interior parecem anular qualquer solução que este pudesse representar.
O tédio, o cansaço, a apatia, a descrença e a morbidez do sujeito poético traduzem a sua incapacidade de viver a vida, a inércia perante uma existência anuladora e monótona.
A náusea e a demissão da vida, que marcam a poesia decadentista, representam também o assumir de um fracasso pessoal.