As Conferências do Casino ou Conferências Democráticas do Casino Lisbonense realizaram-se na primavera de 1871 (de 22 de março a 26 de junho de 1871) numa sala alugada do casino situado no Largo da Abegoaria, em Lisboa. Foram impulsionadas pelo
poeta Antero de Quental, que, sob a influência das ideias revolucionárias de Proudhon, insuflou no chamado grupo do Cenáculo (também conhecido como Geração de 70) o entusiasmo para
realizá-las.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
Vencidos da Vida
Vencidos da Vida é o nome por que ficou conhecido um grupo
informal formado por personalidades intelectuais de maior relevo da vida
cultural portuguesa das últimas três décadas do século XIX, com fortes ligações à chamada Geração
de 70. O nome do grupo, ao que parece, foi adotado
por sugestão de Joaquim Pedro de Oliveira Martins e
decorre claramente da renúncia dos seus membros às aspirações da juventude.
O grupo
reunia-se para jantares e convívios semanais no Café Tavares, no Hotel Bragança
ou nas casas dos seus membros, tendo-se mantido ativo entre 1887 e 1894.
Os Vencidos da Vida foram definidos pelo escritor Eça de Queiroz - um
dos seus membros tardios - como um grupo jantante. O grupo assumia o
carácter de uma sociedade exclusivista, congregando vultos da literatura, da
política e frequentadores das rodas mundanas e aristocráticas.
sábado, 19 de março de 2011
Realismo e naturalismo
Em Portugal o Realismo e o Naturalismo, à semelhança do que ocorre com a literatura francesa, são duas direcções estéticas com certa independência. Saindo do Realismo, a que é posterior cronologicamente, o Naturalismo dele se diferencia por conduzir a ciência para o plano da obra de arte, fazendo desta como que meio de demonstração de teses científicas, especialmente da psicopatologia. O Realismo, mais esteticizante, embora se apoie no que as ciências do século XIX vinham afirmando e desvendando, não vai até à profundidade analítica do Naturalismo, donde advém a sua não preocupação pela patologia, caracterísitca do romance naturalista. A par disso, enquanto no Naturalismo implica uma posição combativa, de análise, dos problemas que a decadência social evidenciava, fazendo da obra de arte uma verdadeira tese com intenção científica, o Realismo apenas “fotografa” com certa isenção a realidade circundante, sem ir mais longe na pesquisa, sem trazer a ciência, dissertativamente, para o plano da obra. O romance realista encara a podridão social usando luvas de pelica, numa atitude fidalga de quem deseja sanar os males sociais, mas sente perante eles profunda náusea, própria dos sensíveis e estetas. O naturalista, controlando a sua sensibilidade, ou acomodando-a à ciência, põe luvas de borracha e não hesita em chafurdar as mãos nas pústulas sociais e analisá-las com rigorismo técnico, mais de quem faz ciência do que literatura.
domingo, 26 de dezembro de 2010
Os maias
A Acão principal d' Os Maias, desenvolve-se segundo os moldes da tragédia clássica -
peripécia, reconhecimento e catástrofe. A peripécia verificou-se com o
encontro casual de Maria Eduarda com Guimarães; com as revelações casuais do
Guimarães a Ega sobre a identidade de Maria Eduarda; e com as revelações a
Carlos e Afonso da Maia também, sobre a identidade de Maria Eduarda. O
reconhecimento, acarretado pelas revelações do Guimarães, torna a relação entre
Carlos e Maria Eduarda uma relação incestuosa, provocando a catástrofe
consumada pela morte do avô; a separação definitiva dos dois amantes; e as
reflexões de Carlos e Ega
Acão Secundária
Pedro da Maia conhece Maria Monforte por quem se apaixona
violentamente e com quem casa, contra a vontade do pai. De repente, a
felicidade de Pedro acaba, quando Maria Monforte foge com Tancredo, um
napolitano por quem se enamora, levando consigo a filha Maria Eduarda. Pedro,
desesperado, dirige-se para o Ramalhete e, após contar tudo ao pai, suicida-se,
deixando o seu filho Carlos a Afonso.
Espaço(físico,
psicológico e social)
Espaço Físico
A maior parte da narrativa passasse em Portugal, mais
concretamente em Lisboa e arredores.
É em Lisboa que se dão os acontecimentos que levam Afonso
da Maia ao exílio; é em Lisboa que sucedem os acontecimentos essenciais da vida
de Pedro da Maia; e é também lá que decorre a vida de Carlos que justifica o
romance - a sua relação incestuosa com a
irmã.
O estrangeiro surge-nos como um recurso para resolver
problemas. Afonso exila-se em Inglaterra para fugir à intolerância Miguelista;
Pedro e Maria vivem em Itália e em Paris devido à recusa deste casamento pelo
pai de Pedro. Maria Eduarda segue para Paris quando descobre a sua relação
incestuosa com Carlos. O próprio resolve a sua vida falhada com a fixação
definitiva em Paris.
Deve referir-se como importante espaço exterior Sintra,
palco de vários encontros, quer relativos à crónica de costumes, quer à relação
amorosa dos protagonistas.
Espaço Social
O espaço social
comporta os ambientes (jantares, chás, soirés, bailes, espectáculos), onde
atuam as personagens que o narrador julgou melhor representarem a sociedade por
ele criticada - as classes dirigentes, a alta aristocracia e a burguesia.
Destacamos o jantar
do Hotel Central, os jantares em casa dos Gouvarinho, Santa Olávia, a Toca, as
corridas do Hipódromo, as reuniões na redação d' A Tarde, o Sarau
Literário no Teatro da Trindade - ambientes fechados de preferência, por razões
de elitismo.
O espaço social
cumpre um papel puramente crítico.
O espaço psicológico é constituído pela consciência das
personagens e manifesta-se em momentos de maior densidade dramática. É
sobretudo Carlos, que desvenda os labirintos da sua consciência. Ocupando
também Ega, um lugar de relevo. Destacamos, como espaço psicológico, o
sonho de Carlos no qual evoca a figura de Maria Eduarda; nova evocação dela em
Sintra; reflexões de Carlos sobre o parentesco que o liga a Maria Eduarda;
visão do Ramalhete e do avô, após o incesto; contemplação de Afonso morto, no
jardim.
Quanto a Ega, reflexões e inquietações após a descoberta
da identidade de Maria
Eduarda.
Tempo (do discurso e
da Historia)
Tempo do discurso
Na obra, o discurso inicia-se no Outono de 1875, data em que
Carlos, concluída a sua viagem de um ano pela Europa, após a formatura, veio,
com o avô, instalar-se definitivamente em Lisboa.
Tempo histórico
Do Outono de 1875 a Janeiro de 1877 - data em que Carlos abandona o Ramalhete - existe uma tentativa para que o tempo histórico (pouco mais de um ano da vida de Carlos) seja idêntico ao tempo do discurso - cerca de 600 páginas - para tal Eça serve-se muitas vezes da cena dialogada.
Narrador
O narrador é heterodiegético, ou seja, não é uma
personagem histórica.
Assume geralmente uma atitude de observador
Elementos Simbólicos
O Ramalhete;
A Toca;
Santa Olávia simboliza a vida e a regeneração dos dois
varões da família;
Sintra nela se representa a beleza paradisíaca
Lisboa nela esta simbolizada a decadência nacional, onde se
destaca a estatua de camões
sábado, 25 de dezembro de 2010
A Educação n' Os Maias
Uma das temáticas centrais do romance de Eça é, inequivocamente, a educação.
Este facto compreende-se porque a problemática, de acordo com a
estética naturalista, é fundamental na caraterização das personagens e porque assume,
nas obras do escritor, uma representatividade considerável.
A Educação portuguesa e a Educação inglesa

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Capitulo VI
Carlos visita Ega na sua
nova casa, a Vila Balzac, no Largo da Graça, depois da Cruz dos 4 Caminhos.
Saem. Encontram Craft. Combinam jantar no Hotel Central, em honra ao Cohen.
Chegam os Castro Gomes para se hospedar (p.157). Alencar encontra Carlos da
Maia, que tem agora 27 anos. Alencar é contra o Naturalismo e tudo o que lhe
cheire a Realismo. Começam a discutir a decadência de Portugal, política e
socialmente. Acabam bem o jantar. Ega e Alencar discutem. Reconciliam-se. Saem
todos do Hotel Central. Alencar acompanha Carlos até casa. Analepse de uma
conversa de Carlos e Ega em que este, bêbado, lhe revelara a verdadeira
história da mãe de Carlos. Carlos adormece, pensando na misteriosa senhora do
Hotel Central e no Alencar.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Corrida De cavalos
Resumo:
O capítulo X começa com o fim do encontro de
Carlos com Gouvarinho e revela que Carlos já se sente farto desta: “E
nessa tarde, como não havia ainda outro esconderijo, tinham abrigado os seus
amores dentro daquela tipóia de praça. Mas Carlos vinha de lá enervado,
amolecido, sentindo já na alma os primeiros bocejos da saciedade. Havia três
semanas apenas que aqueles braços perfumados de verbena se tinham atirado ao
seu pescoço – e agora, pelo passeio de S.Pedro de Alcântara, sob o ligeiros
chuvisco que batia as folhagens da alameda, ele ia pensando como se poderia
desembaraçar da sua tenacidade, do seu ardor, do seu peso…”.
Quando, depois, Carlos ia a descer a rua de S.Roque, encontrou
o marquês. Durante a conversa, Carlos apercebeu-se que a corrida tinha sido
antecipada para o próximo Domingo. Maia ficou contente pois daí a cinco dias
iria, finalmente, conhecê-la.
Enquanto Carlos e o marquês vão falando das
corridas, Maria Eduarda passa no seu coupé… “Carlos olhou, casualmente;
e viu, debruçado à portinhola, um rosto de criança, de uma brancura adorável,
sorrindo-lhe, com um belo sorriso que lhe punha duas covinhas na face.
Reconheceu-a logo. Era Rosa, era Rosicler: e ela não se contentou em sorrir,
com o seu doce olhar azul fugindo todo para ele – deitou a mãozinha de fora,
atirou-lhe um grande adeus. No fundo do coupé, forrado de negro, destacava um
perfil claro de estátua, um tom ondeado de cabelo loiro. Carlos tirou profundamente
o chapéu, tão perturbado, que seus passos hesitaram. “Ela” abaixou a cabeça, de
leve;”.
No fim de ver passar o coupé, Carlos
e o marquês dirigem-se ao Ramalhete; Maia, pelo caminho, vai traçando um plano
para se encontrar com Maria Eduarda. Chegando ao Ramalhete juntam-se todos.
Durante o jantar Carlos vai contar o seu plano
para conhecer Castro Gomes a Dâmaso: este levá-los-ia até aos Olivais para lhe
mostrar a colecção de Craft e em seguida jantariam no Ramalhete.
Depois do sarau no Ramalhete, chega o dia das
corridas. Carlos vai ao hipódromo na esperança de ver Maria Eduarda, mas fica
desiludido pois ela não aparece.
É Domingo, um dia quente com o céu azul, no
Hipódromo Carlos fala com a sua velha amiga D.Maria da Cunha e conhece
Clifford, que era o dono do cavalo que tinha mais expectativas de ganhar e foi
por causa dele que as corridas foram antecipadas.
Entretanto, a Gouvarinho diz a Carlos que seu pai faz
anos e ela tem de ir ao Norte. Combina então com ele para se encontrarem na
estação e seguirem juntos no comboio ate Santarém onde passariam a noite
juntos; depois, ela seguiria até ao Porto e ele regressava a Lisboa. Carlos
hesita.
Houve algumas complicações durante a prova que
causaram a desordem – página 329/330.
Carlos, para animar as corridas, decide apostar e,
surpreendentemente, acaba por ganhar muito dinheiro.
Aqui podemos aplicar o provérbio “Sorte no jogo,
azar no amor”… Este é o primeiro presságio do capítulo: “- Ah, monsieur
– exclamou a vasta ministra da Baviera, furiosa – mefiez-vous… Vous connaissez
le proverbe: heureux au jeu…”
Entretanto, Carlos vai falar com Dâmaso. Este
conta-lhe que Castro Gomes partiu para o Brasil e que Maria Eduarda está num
apartamento no prédio do Cruges.
Em seguida, Carlos arranja a desculpa de querer falar
com Cruges para ver Maria Eduarda. Mas, quando chega, ao prédio, felizmente, a
criada diz que Cruges não está; Carlos acaba também por não ver Maria Eduarda.
Carlos regressou ao Ramalhete, conversando
com Craft dá-se o segundo pressagio…
“- A gente, Craft, nunca sabe se o que lhe sucede é,
em definitivo, bom ou mau.
-Ordinariamente é mau.”
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