quarta-feira, 5 de junho de 2013

Batalha de Alcácer-Quibir


Batalha de Alcácer-Quibir 

   A Batalha de Alcácer-Quibir  ou Alcassar, significando "grande fortaleza", em árabe) ,conhecida em Marrocos como Batalha dos Três Reis , foi uma batalha travada no norte de Marrocos perto da cidade de Ksar-El-Kebir, entre Tânger e Fez, em 4 de Agosto de 1578. Os combatentes foram os portugueses liderados pelo rei D. Sebastião aliados ao exército do sultão Mulay Mohammed contra um grande exército marroquino liderado pelo Sultão de Marrocos Mulei Moluco (Abd Al-Malik, seu tio) com apoio otomano.
 No seu fervor religioso, o rei D. Sebastião planeara uma cruzada após Mulay Mohammed ter solicitado a sua ajuda para recuperar o trono, que seu tio Abu Marwan Abd al-Malik I Saadi havia tomado. A batalha resultou na derrota portuguesa, com o desaparecimento em combate do rei D. Sebastião e da nata da nobreza portuguesa.Além do rei português, morreram na batalha os dois sultões rivais, originando o nome "Batalha dos Três Reis", com que ficou conhecida entre os Marroquinos.
A derrota na batalha de Alcácer-Quibir levou à crise dinástica de 1580 e ao nascimento do mito do Sebastianismo. O reino foi gravemente empobrecido pelos resgates que foi preciso pagar para reaver os cativos.
A batalha ditou fim da Dinastia de Avis e do período de expansão iniciado com a vitória na Batalha de Aljubarrota. A crise dinástica resultou na perda da independência de Portugal por 60 anos, com a união ibérica sob a dinastia Filipina.
Ficheiro:Lagos46 kopie.jpg

sexta-feira, 31 de maio de 2013

D.Sebastião

D. Sebastião I de Portugal (Lisboa, 20 de Janeiro de 1554 — Alcácer-Quibir, 4 de Agosto de 1578) foi o décimo sexto rei de Portugal, cognominado O Desejado por ser o herdeiro esperado da Dinastia de Avis, mais tarde nomeado O Encoberto ou O Adormecido. Foi o sétimo rei da Dinastia de Avis, neto do rei João III de quem herdou o trono com apenas três anos. A regência foi assegurada pela sua avó Catarina da Áustria e pelo Cardeal Henrique de Évora.
Aos 14 anos assumiu a governação manifestando grande fervor religioso e militar. Solicitado a cessar as ameaças às costas portuguesas e motivado a reviver as glórias do passado, decidiu a montar um esforço militar em Marrocos, planeando uma cruzada após Mulei Mohammed ter solicitado a sua ajuda para recuperar o trono. A derrota portuguesa na batalha de Alcácer-Quibir em 1578 levou ao desaparecimento de D. Sebastião em combate e da nata da nobreza, iniciando a crise dinástica de 1580 que levou à perda da independência para a dinastia Filipina e ao nascimento do mito do Sebastianismo.

Ficheiro:Rei D. Sebastião.jpg

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Frei Luís de Sousa

Acção

-Frei Luís de Sousa contém o drama que se abate sobre a família de Manuel de Sousa Coutinho e D. Madalena de Vilhena. As apreensões e pressentimentos de Madalena de que a paz e a felicidade familiar possam estar em perigo tornam-se gradualmente numa realidade. O incêndio no final do Acto I permite uma mutação dos acontecimentos e precipita a tensão dramática. E no palácio que fora de D. João de Portugal, a acção atinge o seu clímax, quer pelas recordações de imagens e de vivências, quer pela possibilidade que dá ao Romeiro de reconhecer a sua antiga casa e de se identificar a Frei Jorge.


Espaço

-O Acto I passa-se numa "câmara antiga, ornada com todo o luxo e caprichosa elegância dos princípios do século XVII", no palácio de Manuel de Sousa Coutinho, em Almada. Neste espaço elegante parece brilhar uma felicidade, que será, apenas, aparente.

-O Acto II acontece "no palácio que fora de D. João de Portugal, em Almada; salão antigo, de gosto melancólico e pesado, com grandes retratos de família...". As evocações do passado e a melancolia prenunciam a desgraça fatal.

- O Acto III passa-se na capela, que se situa na "parte baixa do palácio de D. João de Portugal"." É um casarão vasto sem ornato algum". O espaço denuncia o fim das preocupações materiais. Os bens do mundo são abandonados.


Tempo

- A acção dramática de Frei Luís de Sousa acontece em 1599, durante o domínio filipino, 21 anos após a batalha de Alcácer Quibir. A acção reporta-se ao final do século XVI, embora a descrição do cenário do Acto I se refira à "elegância" portuguesa dos princípios do século XVII. O texto é, porém, escrito no século XIX, acontecendo a primeira representação em 1843.


Personagens

- Madalena: casada em primeiras núpcias com D. João desaparecido em Alcácer Quibir, casa, pela segunda vez, com Manuel de Sousa Coutinho. Infeliz e angustiada, vive perseguida pelo remorso de ter começado a amar Manuel em vida de D. João e por um medo de que o seu primeiro marido, cuja morte nunca foi confirmada, regresse. Respeita Telmo, embora este alimente os seus terrores e as suas superstições. Personagem romântica, ela é também produto da sociedade em que se insere.

-Maria: filha de Madalena e de Manuel de Sousa Coutinho, tem um crescimento precoce, é doente, débil, delgada e tísica, culta, gosta de ler, visionaria, presente a desgraça, curiosa, nacionalista e sebastianista.

-Telmo: escudeiro, amigo e confidente, nutre por Maria uma afeição superior ao amor que tem por D. João. Personagem sebastianista, alimenta os remorsos de Madalena e as fantasias de Maria. Simboliza a presença constante do passado, no fim fica só e se, ninguém.

Manuel Coutinho: fidalgo, bom português, sofre uma evolução/transformação ao longo da peça (um percurso descendente e doloroso). Ao contrário de Madalena, Manuel é primeiro pai e só depois marido; simboliza o Portugal novo e racional.

D. João de Portugal: primeiro marido de D. Madalena a quem amava, é o "espelho de cavalaria e gentileza" e "honrado fidalgo e um valente cavaleiro". Feito cativo em Alcácer Quibir e prisioneiro, em Jerusalém, durante 20 anos, regressa na figura do Romeiro que simboliza o Portugal do passado.

Frei Jorge: (personagem secundária), irmão de Manuel Coutinho, dominicano, é a personagem que impõe uma certa racionalidade tentando manter o equilíbrio no meio da família angustiada e desfeita. 




quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Sebastianismo

Sebastianismo foi um movimento místico-secular que ocorreu em Portugal na segunda metade do século XVI como consequência da morte do rei D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir, em 1578. Por falta de herdeiros, o trono português terminou nas mãos do rei Filipe II da rama espanhola da casa de HabsburgoO povo nunca aceitou a morte do rei, divulgando a lenda de que ele ainda se encontrava vivo, apenas esperando o momento certo para voltar ao trono e afastar o domínio estrangeiro.
O seu mais popular divulgador foi o sapateiro de Trancoso, Bandarra, que previu nas suas trovas o regresso do Desejado (como era chamado D. Sebastião).

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Características do Romantismo em Frei Luís de Sousa

O Frei Luís de Sousa apresenta alguns dos tópicos românticos, tais como:
Sebastianismo - alimentado por Telmo e Maria;

Patriotismo e Nacionalismo - além do que decorre do Sebastianismo, deve-se ter em conta o comportamento de Manuel de Sousa Coutinho ao incendiar o seu próprio palácio para impedir que fosse ocupado pelos Governadores ao serviço de Castela;

Crenças e Superstições - alimentadas por Madalena, Telmo e Maria, que, sistematicamente, aludiam a agouros, visões, sonhos;

Religiosidade - uma referência de todas as personagens; note-se, no entanto, a religiosidade de Manuel de Sousa Coutinho, que inclui o uso da razão e que determina a entrada em hábito como solução do conflito; Madalena, por exemplo, não compreende a atitude de Joana de Castro, a condessa de Vimioso que se tornou freira (Soror Joana);

Individualismo - o confronto entre o indivíduo e a sociedade é particularmente visível em Madalena;

Tema da morte - a morte como solução dos conflitos é um tema privilegiado pelos românticos; 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Valor simbólico de alguns elementos

numerologia  parece ter sido escolhida intencionalmente. Madalena casou 7 anos depois de D. João haver desaparecido na batalha de Alcácer-Quibir; há 14 anos que vive com Manuel de Sousa Coutinho;


Leitura simbólica de Frei Luís de Sousa:
Tragédia – sexta – feira (dia de azar); a noite (parte do dia propícia a sentimentos de terror e parte escura do dia);
Os números:
7 – nº de anos de busca
14 – tempo de casamento (7 reforçado, 14 =2x7)
21 – tempo de acção
13 – nº de azar, idade de Maria

3 – nº de elementos da família sujeitos à destruição, 3 retractos na sala dos retractos

terça-feira, 1 de maio de 2012

Características Trágicas em Frei Luís de Sousa

. Não é em verso, mas em prosa;
. Não tem cinco actos, têm três;
. Existência de momentos que retardam o desenlace trágico;
. Existência de um número reduzido de personagens;
. Vislumbre do coro da tragédia Clássica em Frei Jorge e Telmo Pais, o coro actua como um travão ao ímpeto libertário do individuo, aconselhando a moderação, o condimento.;
. Reduzido número de espaços;
. Acção sintética (número reduzido de acções).
. Existência de Presságios  (elementos, situações ou ditos das personagens que vão aumentando a tragédia): fogo (destrói a família e destrói o retrato), leituras (Lusíadas e Menina e Moça);

. As personagens agem sobre um fatalismo que as empurra para a desgraça;